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domingo, outubro 29, 2006

Trilogia 2/3 - Sai de Mim Capeta!!!



A minha avó sempre alertava os seus filhos sobre os perigos de viverem sozinhos. Solteiros os homens seriam facilmente atentados pelo “coisa ruim”. Um de seus filhos, o Tio Sinézio, devido a sua teimosia, passou por uma história muito apavaronte.


Tio Sinésio foi secretamente apaixonado por Helena. Ela era a filha mais nova de um coronel inimigo de meu avô. Este coronel foi um homem rabugento e ambicioso. Ela era uma moça muito bonita, que tinha os cabelos longos e ondulados, pele clara e um sorriso maravilhoso. Tio Sinésio nunca declarou a sua paixão por Helena e o casamento dela foi arranjado com um primo dela por interesse de terra.


Com medo do pai, Helena foi muito obediente e acabou concordando com o casamento. Mas no dia do casamento ela se enforcou no galho de uma figueira onde ela costumava se encontrar com o meu tio. Após a morte de Helena o meu Tio Sinésio, para não fazer besteira maior, sumiu no mundo.


Minha avó só ficou sabendo do paradeiro dele muito tempo depois. Ele estava morando sozinho, feito um ermitão, em um pequeno rancho de pesca, morro acima perto de uma curva do rio Sapucaí. O lugar era isolado e de difícil acesso, porque pelo lado do rio existiam muitas corredeiras e pelas margens do rio era todo cercado por espessas matas e brejos. Existia uma grande pedra na margem do rio onde os pescadores não conseguiam passar com as suas canoas, chamavam este lugar de “Pedra de Cima”, lá nesse lugar o meu tio já estava vivendo por bem uns dois anos, longe da família e de qualquer outra pessoa. Apenas os pescadores, que passavam por lá, davam notícia que ele ainda estava vivo.


Até que em uma noite chuvosa e fria alguém bateu na porta do seu rancho. Qual o susto do meu tio ao abrir a porta e ver no meio da escuridão e da chuva uma mulher com um vestido de noiva branco, muito parecida com a Helena, sua antiga paixão, embora ela estivesse com o olhar triste e cabisbaixo. Ela estava com os cabelos e o vestido molhados e grudados ao corpo, não falou nada e meu tio achou melhor levá-la para dentro do rancho.


Ele ficou perdido mesmo quando ela tirou o vestido e deitou em sua cama, sem saber o que fazer ele a cobriu com o cobertor, ela fechou os olhos e parecia que ia dormir. O meu tio ficou mais tranqüilo e achou melhor pegar as brasas do fogão de lenha e colocar perto da cama para aquecê-la. Ela adormeceu rapidamente e ele ficou sentado em frente a sua cama observando a beleza e o jeito de anjo da moça.


Acontece que o meu tio acabou cochilando também e no meio do seu sono sentiu um calafrio e foi acordado por um cheiro ruim de enxofre. Ao abrir os olhos viu a mulher sentada na beira da cama, com os pés dentro das brasas e com os olhos fixos nele. Os olhos dela estavam vermelhos e bem abertos e seus braços estavam se transformando em grandes asas de morcego.


Meu Tio Sinésio deu um pulo para trás, e começou a pensar se pegava a espingarda ou saía correndo, mas o bicho não lhe deu tempo para decidir e saltou sobre ele.


Foi uma luta feia, até que ele conseguiu colocar os pés no peito do bicho e jogá-lo longe, gritando : “Sai de mim capeta!!!”


Tio Sinézio, ao invés da espingarda pegou um crucifixo que estava em cima do armário e a coisa começou a voar ao redor dele, virou fumaça e sumiu na escuridão.


Só sei dizer que depois deste susto, meu tio voltou correndo para a fazenda de minha avó e foi logo arrumando um casamento com a minha Tia Glória. Que por sinal, era prima dele também.

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