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domingo, outubro 03, 2010

Enterrem meu Coração na Curva do Rio


Há apenas 40 anos, era lançado Enterrem meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown. Depois dele, a questão indígena nunca mais foi a mesma nos EUA. Nem no Brasil.

O escritor americano Dee Brown (1908-2002) descobriu a América. Entenda-se essa ação como um desnudamento. Um mapeamento histórico, e não geográfico. Há 40 anos, com seu livro Enterrem Meu Coração na Curva do Rio (Editora LPM) - no original: Bury My Heart at Wounded Knee, 89 páginas, da primeira edição em 1970 -, o autor colocou sob os olhos do mundo a verdadeira tragédia dos nativos americanos. Acredite, pouca gente sabia. Antes da obra, conheciam-se apenas duas imagens dos povos do continente: a de psicopatas ou a de índios de porta de charutaria.

Dezembro de 1890 trouxe um inverno particularmente gelado no território de Dakota do Sul. O Chefe Spotted Elk, também conhecido como Big Foot, enfrentava uma pneumonia que poderia matá-lo. A doença, porém, não teve a rapidez do Sétimo Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos da América. Trezentos e sessenta e cinco cavaleiros - com duas peças de obus - sob o comando do coronel James Forsyth, chegaram à aldeia dos Miniconjou e Hunkpapa Sioux, no dia 28. A missão era a de realocação para o forte de Pine Ridge, de 340 homens, mulheres, crianças e velhos das tribos acampadas em uma curva do rio Wounded Knee. Na manhã de 29, foi feita uma reunião entre o comando militar e o conselho tribal. Tratariam dos detalhes daquela que era, na verdade, uma rendição.

Para a reunião, foi exigido que os nativos depusessem suas armas. Em meio às conversas, um guerreiro - que era surdo, segundo os sioux - disparou um tiro do rifle que manteve sob um cobertor. Foi um sinal para o início do massacre do povo de Big Foot. De uma população de 340 pessoas, sobraram quatro homens e 47 mulheres e crianças. Todos feridos. Esses sobreviventes foram levados para Pine Ridge e aprisionados em uma igreja sem aquecimento. Sobre o altar estava uma faixa onde se lia: "Paz na Terra aos homens de boa vontade".

Até a publicação da obra de Brown, a maioria do povo americano ignorava a história e acreditava nas invencionices de Hollywood.

Texto por Osmar Freitas Jr., em Brasileiros:

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