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sábado, novembro 06, 2010

O Menino com o Espinho

Boy with Thorn - Pallazo dei Conservatori - Roma 




O menino com o espinho foi uma das figurinhas de álbum mais difíceis de conseguir na minha infância. O que colou em minha mente, por muitos anos, nao foi a beleza da escultura em bronze, mas a historinha de braveza e fidelidade que acompanhava a figurinha naquele velho álbum de esculturas de obras de arte. O menino, um mero pastor, foi considerado um exemplo de fiel mensageiro, porque após correr por um longo caminho, primeiro entregou a mensagem para o senado romano, sobre a invasão das tropas inimigas, e somente depois sentou-se para retirar o doloroso espinho do seu pé. A estátua foi uma homenagem pelo evento exemplar e pela vitória alcançada. Esta história acompanhou por muito tempo o meu imaginário. Vida adulta? Tudo bem! Vida normal, trabalhador duro, alienado, porem feliz com as suas historinhas. Até que um dia resolvo procurar pela figurinha no Google images e me vem também um texto explicando, de novo, que Papai Noel não existe. Em 1981 dois professores de uma universidade italiana (história da arte nunca é de Harvard ou de Cincinnati) descobriram que a história foi inventada bem depois de que a estátua foi construída para ser colocada em um jardim de um palácio qualquer ainda no primeiro século da era cristã. Convenhamos, professor e ainda italiano nao tem mesmo o que fazer, foram desmontar a minha melhor história de bravura e fidelidade. Agora nao sei o que faço, se fico com raiva da internet, do google, dos professores ou da Itália. A solução poderia ser jogar a culpa neste menino ingênuo demais. Acabaram com o significado "épico" dos meus contos, o que vou fazer com a minha foto ao lado da cópia em mármore no museu do prado? Só me resta uma solução : não vou mais usar a porcaria da internet!!! ... Ou talvez, vou usar sim, tomando mais cuidado com os textos italianos, preservo a minha ingenuidade, e continuo a acreditar no menino que deveria ser coroado pela dor no seu pé.

2 comentários:

  1. Pois é, Luízio!
    Quantas vezes somos enganados nos nossos sonhos de infância. Quando adultos, descobrimos que o mundo nos enrola nos nossos sonhos. Grande abraço e obrigado pela visita ao meu blog.

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  2. Essa figurinha me lembrou de você, após correr atrás do meu chevette, em Ubatuba, descalço no asfalto fervendo, com dois coqueteis de abacaxi.
    Foi heróico. Só depois de nos entregar aquelas preciosidades, você, na mesma posição do menino, se preoculpou com as bolhas.
    Boy with burned feet

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