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sexta-feira, janeiro 21, 2011

Sapo Hang Loose

OUTRA HISTÓRIA DAS ENCHENTES DE ITAJUBÁ


Maninho chegou em casa mais cedo, sua mãe ainda estava acordada, achou melhor esconder o beck no jardim. Naquela época tinha umas samambaias de chão, perfeitas para esconder as coisas da mãe da gente. Entrou e foi direto para o quarto dos fundos, dormiu ao som do Nirvana fazendo ritmo com as goteiras da calha e da tempestade lá fora.

No outro dia, acordou com a mão dentro d’água, susto danado, seria efeito de dormir com o estômago vazio? Não! Era uma enchente das brava que já tinha atingido o colchão da cama. Violão e tênis boiando, água barrenta, abriu a porta com dificuldade, saiu do quarto e foi acordar sua mãe.

A Rádio Itajubá informava que a cidade estava entupida, que lá pros lados de Varginha e Três Corações tava tudo fodido.

O jeito era esperar a água baixar lá no Bar do Rafaelle e ir consumindo o estoque enquanto se podia pendurar mais alguma coisa.

No terceiro dia, a água baixou, a cabeça encheu e Maninho resolveu voltar prá casa. 
Encontrou sua mãe lavando o jardim, lembrou do beck e pediu para fazer o serviço.

Procura daqui, procura dali, não achava nada, mas acabou achando um sapo e perguntou:

- E aí amigo? Hang loose?

O sapo respondeu :

- Humm...

- Ocê viu meu beck por aí?

- Hummm...

- Vai vê ocê comeu pensando que era um besouro verde.

- Hummmm...

Maninho perdeu a paciência pegou o sapo pelo pescoço e abriu a boca do batráquio. 
E não é que tava lá o pito engasgado na garganta do bicho.

Pegou, acendeu, tragou fundo e o sapo disse:

- Dá um pito aí?

Maninho assutou e disse:

- Sai prá lá sô, não fumo cum estranho!

Quando terminou, jogou o quimba fora. O sapo pegou, fumou o resto, foi inchando até estourar. 
Com a explosão foi parar do outro lado da rua.

De ponta cabeça abriu os olhinhos e disse:

- Esse é dos bão!!!

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