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sábado, maio 25, 2013

Belo-horizontino Nota Dez

O senhor Ernani di Latella distribui mudas de flores e árvores frutíferas no muro da sua casa.




Mudas, jardim e pomar. É sua, pode levar.” O aviso simples e direto na placa instalada no muro dá o recado a quem passa em frente ao número 328 da Rua Grajaú, no bairro Anchieta. Alinhadas, as plantas que mal começaram a brotar estão disponíveis de graça para quem quiser cuidar delas. Mesmo apressados, os pedestres costumam parar e escolher alguma ou simplesmente apreciar o gesto de gentileza. As mudas de árvores frutíferas e de flores saem do quintal do advogado aposentado Ernani Façanha di Latella, de 85 anos. Seu terreno é uma pequena ilha verde na Região Centro-Sul, alvo frequente da cobiça de construtoras. Três prédios altos foram erguidos em volta do seu imóvel e agora fazem uma sombra que atrapalha o crescimento das plantas. Mesmo assim, Latella não abre mão do espaço que tem para cultivar frutas como limão-capeta, graviola, acerola, jabuticaba e pêssego. “Já está crescendo um mamoeiro”, conta, todo orgulhoso.

Nascido em Belém e descendente de italianos, ele chegou a Belo Horizonte no fim dos anos 40, vindo do Ceará. Segundo Latella, seu “dedo verde” vem desde aquela época, quando passava mais tempo na fazenda dos avós do que na cidade. Nos anos 70, comprou um sítio em Igarapé, a cerca de 50 quilômetros da capital. Lá, dedicou-se a um pomar que reunia sessenta espécies de árvore frutífera. Após vender o rancho, em 2011, sentiu falta do hábito de dar mudas aos vizinhos e resolveu cultivar o costume aqui mesmo, na capital. A ideia não é ganhar dinheiro, por isso não cobra nada. “Minha vontade é espalhar o verde”, afirma. “Fico emocionado de pensar que uma muda que plantei virou uma árvore em outro lugar, na casa de alguém.” Os potes nos quais planta suas mudinhas são as caixas de leite e suco que ganha de uma padaria próxima. Todas as tardes, ele revira o canteiro de sementes e prepara os recipientes que serão ofertados na manhã seguinte. A cada dia, deixa entre quatro e seis em cima do muro. A clientela é fiel. “Quando não encontram as mudas, tocam a campainha. Minha mulher já está ficando louca”, diverte-se.


Fonte Veja BH

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