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domingo, agosto 18, 2013

O Tempo Vua !



Como diz sempre uma doce e idosa senhora nas vezes que nos encontramos:
- O tempo vua...
Quando criança na Boa Vista, no calor, portas e janelas dormiam abertas. Medo ? De ciganos que roubavam crianças bonitas para vender (nunca corri esse risco), de pinguços (eram poucos e conhecidos), da Dona Marly que à noite virava bruxa, dois bons cidadãos (um sapateiro e o outro aposentado solitário), que viravam lobisomem nas enluaradas noites de sexta-feiras. Ah! e um dono de um pequeno buteco que tinha sido matador de aluguel lá pelo norte de Minas Gerais.
Crimes violentos ?
Um por causa de uma dívida de jogo e três por razões passionais.
Roubo ? Muitos, de galinhas. Participei de um jantar com galinhas roubadas (soube depois). Estava bom.
Mesmo em São Paulo, no começo dos anos 70, morando, Sonia e eu, no Bexiga e recém-formado, sem carro, circulávamos à noite pelo centro da cidade caminhando, sem risco. Íamos ao Pacaembu, ao Cine Metrópole na Praça da República, ao Mappin, Bar Brahma, sem maiores preocupações.
Hoje, em plena terrinha, vejo as pessoas atemorizadas ao meio-dia,com o sol a pino. Descem dos carros como se estivessem na Chicago do Al Capone. Checam os arredores, correndo os olhos por duas ou três vezes. Acionam o alarme e seguem com repetidos olhares para trás.
Casas gradeadas. Verdadeiros bunkers.
Sorrisos enormes para simples conhecidos como buscando segurança e solidariedade.
Sei não...
Deixa eu parar de escrever. Já são 18:00 horas. Vou passar os cadeados na janela, soltar o cachorro e aguardar atento a amanhecer, afinal amanhã é domingo.
Saudade dos lobisomens, assombrações, pé grande e mula sem cabeça.
É a vida


Edson Riera

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