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sábado, outubro 12, 2013

"Si Sobrá Nóis Vende"


Excelente artigo publicado sobre a cachaça "Si Sobrá Nóis Vende" no Blog Brasil no Copo:
http://brasilnocopo.blogspot.com.br/2013/09/brasil-estrada-e-cachaca-si-sobra-nois.html?spref=fb


Visitamos o alambique de José Ferrer, o Zé Gabiru. Há 25 anos ele produz a popular (na região de Cristina, no Sul de Minas Gerais) "Si Sobrá Nóis Vende". Falta registro no Mapa, mas sobra simpatia, sabedoria e muita aula de cultura da cachaça a céu aberto!


Por Izabel Marinho e Ricardo Herren, de Itajubá (MG)




José Ferrer, o Zé Gabiru: sem discípulos para continuar sua produção
(foto: Ricardo Herren)

Aos 84 anos de idade o agricultor José Carneiro Ferrer, que mora no bairro da Mata, em Cristina, no sul de Minas Gerais, tem um problema: ele faz uma das cachaças mais conhecidas da região. Mas não tem quem continue a produção. Com isto fãs da "Si Sobrá Nóis Vende", vão vendo as garrafas do que já está produzido, sendo ameaçadas de ficarem somente na lembrança.




Zé Gabiru: só vende o que sobra
(foto: Ricardo Herren)
José Ferrer, o popular Zé Gabiru, tem um alambique rústico e completamente artesanal. Sua cachaça não traz no rótulo a inscrição no MAPA (o Ministério da Agricultura) mas tem uma legião de seguidores. Todos atrás de uma cachaça maravilhosa, produzida por quem sabe das coisas. E Zé Gabiru sabe. Produz há 25 anos. Não envelhece a bebida na madeira. Ele acha que os tonéis absorvem o volume alcoólico interferindo no resultado final, então prefere deixar a cachaça em garrafões. Coisas do Zé.





Antiga moenda do sítio no Bairro da Mata: patrimônio a ser preservado (foto: Ricardo Herren)

O agricultor recebeu em seu sítio, Izabel Marinho e Ricardo Herren. Marido e mulher, o casal percorre a região em busca de histórias que têm como pano de fundo a cachaça artesanal. Encontraram no Bairro da Mata, o que poderia dar mais que um capítulo de um eventual livro sobre o assunto. Zé Gabiru é o que pode se chamar de uma aula viva de simpatia, folclore, causos e claro, de como se fazer uma excelente cachaça.





Izabel Marinho: encantada com a "Si Sobrá Nóis Vende"
(foto: Ricardo Herren)
Enquanto escrevo este post, aproveito para me servir da companhia de um dos exemplares do alambique, enviada a São Paulo, carinhosamente por Izabel e Ricardo. Uma cachaça que descansou por 10 anos antes de ser engarrafada. Ele fez questão de presentear os visitantes. Quando ameaçou pagar pela bebida, Ricardo e Izabel tiveram o privilégio de ouvir: "não se preocupe com isso não, se sobrá nóis vende". Este é Zé Gabiru.




Se Sobrá Nóis Vende: 25 anos de descanso, por R$ 200,00
(foto: Ricardo Herren)
E quem for a Cristina e quiser se aventurar pelo alambique vai se deparar com outra surpresa. Há 25 anos José Ferrer guarda uma relíquia: a primeira remessa do que foi produzido no sítio. Trata-se de uma cachaça amaciada pelo tempo e, por outro lado, sem nenhuma interação com qualquer que seja as madeiras geralmente utilizadas para maturar a cachaça. Se a de 10 anos já está um espetáculo de maciez e baixíssima acidez, além de descer mais redondo do que muito uísque por aí, imagine esta de 25 anos.





Rótulo antigo da "Si Sobrá Nóis Vende"
(foto: Ricardo Herren)

Mas não será fácil ter uma dessas em casa. A cachaça, além de ser vendida somente no alambique, custará R$ 200,00 e só terá 30 garrafas. Questionado por Izabel se ele não acha muito cara,Zé Gabiru olhou bem em volta e disse: "uai sô e eu lá tenho pressa de vendê"???




Rótulo assinado por Sérgio Reis: raridades que precisam de conservação
(foto: Ricardo Herren)

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